Carro - Maior, (muito!) mais cara e cheia de potência,
a 2ª geração do Honda Fit encarou os mesmos concorrentes de sua antecessora na pista. E foi barbada...
por João Anacleto fotos Pedro Bicudo
Raras são as vezes em que tomo licença para escrever em 1ª pessoa. Acho que, como não sou você,
leitor, não posso tratá-lo como “eu”. Mas, desta vez, permita-me abrir essa exceção. Isso porque todo mundo está doido para andar, ver e tocar no novo Honda Fit. Minha mãe, minhas tias, as amigas, a
namorada e um ou outro amigo curioso.
O fato é que eu tenho um Fiat Idea, e gosto dele. Não tenho fi lhos, nem sou taxista — nada contra a categoria — nas horas vagas. Mas como quase 300.000 pessoas desde 2006, encontrei nos monovolumes a versatilidade ideal para o meu dia-a-dia. Tamanho diminuto, espaço absoluto. Interior arejado, com aquele pára-brisas imenso,
baixo consumo — 1.4, claro! — e até um certo visual moderninho. Foi ideal. Vale lembrar, contudo, que só o comprei pelo preço, com um baita desconto na mudança da linha. No meu caso, isso decidiu a compra. Tinha ido atrás de um Fit usado, mas a oferta da Fiat pesou mais. E se o preço é tão decisivo para você quanto foi para mim, o tão esperado e sonhado novo Fit sai bem atrás dos concorrentes.
A tática da Honda foi mesmo distanciá-lo dos antigos rivais. Dotado de motor 1.4 e luxos como freios com ABS, airbags e MP3 player, o carro sai por R$ 56 270, com câmbio manual. Essa é a versão LXL, e na LX, não há ABS nem como opcional e nem um
mísero radio AM/FM. E custa R$ 52.340. O aumento beirou os R$ 5.000 em ambas as versões, se comparado ao antecessor. E aí, quando se olha para os rivais é que vemos que há espaço para todo mundo.
Quem tem R$ 43.000 pode desembolsar R$ 56.000? Difícil. Por isso, o Fiat Idea conti nua sendo uma boa opção... será? O fato é que as suas vendas caíram 30,8% em outubro.
Enquanto isso, seu rival mais próximo, o Chevrolet Meriva, o ultrapassou. Foram 238 unidades de vantagem no mesmo mês.
Já o Honda caiu 12,2% mas, mesmo na iminência
do lançamento da 2ª geração, ele fechou o mês com 3 080 vendas. Nada mal.
Olhando de fora, vi que o Honda perdeu um pouco da cara de “vanzinha”. A linha de cintura subiu, o que lhe deu agressividade. E tive a impressão de que ele está com maior área envidraçada. O teto aparece pouco
quando você o vê de perfi l. Os concorrentes, por sua vez, fazem questão do jei to “família” de ser. O Fiat leva o conceito van no rosto o Chevrolet tem cara de furgão.
Mas nem por isso eles viram chacota perto do Honda. Pelo contrário. Nas fotos ao lado, você vê que, com três passageiros atrás, o Fit é o mais apertado (última foto, de cima para baixo), tanto para os ombros quanto para a cabeça. O Idea tem o maior “pé-direito”, é o
mais alto, e o Meriva leva a melhor em largura.
Comparando as medidas, e sabendo que o Fit cresceu, pode-se dizer que agora ele está no nível dos antigos rivais. Em largura, o Fit precisou ganhar 2 cm para empatar com a dupla em 1,69 m. Seu entreeixos ganhou 5 cm e, mesmo assim, perde para o do Fiat em
1 cm e para o do Chevrolet em 13 cm. No comprimento, os 7 cm a mais não bastaram para ultrapassar o Fiat (3,93 m) e muito menos o Meriva,o grandalhão da turma com 4,04 m. O Fit continua caçula.
Quando passo para o lado de dentro e me coloco para guiar, há mais mostras de que o Fit não quer mais ser dessa categoria. Não que ele lembre o Civic. Tudo bem, o volante é igual. Mas no sedã, você viaja em posição de piloto, não de motorista. O ajuste de altura
do banco foi mantido, mas eu não gosto do seu sistema. No Meriva, a regulagem é feita por meio de uma alavanca, que quando puxada afunda a parte de trás do assento.
No Idea também há uma alavanca, mas ela ergue e abaixa o banco por inteiro. Mas nos dois modelos, eu dirijo em posição elevada. Talvez a característica mais marcante desse tipo de carro. O Fit perdeu isso. Agora, parece que estou num carro como o VW Polo.
À exceção da posição elevada, todas as outras prestações de visibilidade fazem dele um veículo agradável e seguro. No campo de visão, seu pára-brisas tem 1,23 m de largura e é o mais comprido, com 0,90 m. Só perde para o Idea em largura (1,25 m) mas a área é maior, pois o Fiat tem apenas 0,77 m de comprimento. Com essas mudanças visuais e de acomodação, teorizadas no Civic, parece que até meus tios e meus amigos gostarão do Fit. Ainda mais se acelerarem um.
Pois é, mesmo na pista, que nunca foi o forte do Honda 1.4, ele deu mostras de que veio para pegar quem o evitava só por ser fraco.
O novo motor 1.4 16V, com comando i-Vtec, produz 101 cv com álcool e deixou o Meriva para trás, que é o mais potente, e o Idea, que com 81 cv, não viu nem se era o 1.4 ou o 1.5 que o ultrapassou pela esquerda. Levou apenas 12s2 da imobilidade aos 100 km/h, 1s mais rápido que o Chevrolet e 4s2 antes do Fiat. Isso sem falar do comportamento.
Eu, como disse, estou acostumado com o Idea, que tem um centro de gravidade elevado e não permite peripécias além de uma cantada de pneus em curvas de acesso a viadutos. A suspensão do Fiat é boa, mas a carroceria inclina demais. No Meriva, você até consegue dar uma escapadinha de frente, prazerosa, sem correr riscos. No Fit, haja gravidade!
Ele é muito no chão. Um delícia. Só achei que o retorno da direção em manobras ousadas continua evidente, apesar da 2ª geração ter vindo com essa correção.
Pelo preço do Fit LXL, você compra um Idea completo ou um Meriva 1.8
Além do preço, há outros itens a considerar neles. Pelo valor do LXL testado, que vem com airbags, ABS, ar-consicionado, direção e trio elétrico, pode-se adquirir um Idea completo, com Sky Dome, Bluetooth e sensor de estacionamento, indisponíveis no Honda.
Ou partir para um Meriva 1.8 Flexpower Premium com os mesmos equipamentos, câmbio Easytronic e ainda sobrarão R$ 2.500. Mas onde ele me pega de verdade é como quer me fazer sentir bem lá dentro. Os portamalas são equivalentes, beirando os 350 litros.
O Fit veio no embalo do Idea e espalhou 10 porta-objetos pelo carro. Não chegou ao ponto extremo de comididade ao colocá-los até no teto, como o Fiat, mas os porta-copos nos cantos do painel são importantes para quem passa muitas horas do dia a bordo do modelo. No Meriva eles estão no console
central. E só. Falta charme. Mesmo assim, a minha escolha entre os monovolumes é o Meriva. Anda bem, consome pouco, com média de 9,5 km/l de álcool,
e é o mais espaçoso. O Idea vale a pena pelo
preço, mas não é melhor. E o Fit? Para mim, não pertence mais ao segmento. Criou sua própria categoria. Compare as versões com o valor que você tem no seu bolso e escolha.